Os 450 kg que a norma brasileira pede ao piso elevado não são o peso que quebra a placa. São o peso que ela suporta cedendo no máximo 3,6 mm. No ensaio que filmamos, a placa metálica de entrada só rompeu perto de 1.000 kg.
Quase toda conversa sobre carga de piso elevado começa com a mesma pergunta: quanto peso ele aguenta? E a resposta que circula costuma ser um número solto, sem dizer de que carga se trata, em que ponto da placa ela foi aplicada e quanto a placa cedeu.
Por isso filmamos o ensaio, algo que dificilmente se vê publicado: a placa sob carga, a leitura subindo no equipamento e o momento em que ela rompe. Este texto explica o que esse teste mede, o que ele não mede e quanto cada tipo de placa suporta.
Em resumo
- A NBR 11802 pede que a placa suporte 4.400 N, cerca de 450 kg, com flecha de até 3,6 mm. É um limite de deformação, não de ruptura.
- No nosso teste, a placa metálica de entrada rompeu perto de 1.000 kg. E o rompimento da estrutura ainda não é o colapso da placa.
- Carga concentrada e carga distribuída são grandezas diferentes: a mesma placa de 450 kg concentrados suporta cerca de 1.200 a 1.500 kg/m² distribuídos.
- A capacidade depende do material e da espessura. Há placas que chegam a 2.000 kg de carga concentrada com flecha de 2,5 a 3 mm.
- Carga concentrada informada sem flecha e sem ponto de aplicação não permite comparar placas.
O que o teste de carga mede
A NBR 11802, norma brasileira de piso elevado, pede um ensaio de carga concentrada de 4.400 N com flecha máxima de 3,6 mm.
Em quilos, 4.400 N correspondem a aproximadamente 450 kg. O ensaio pressiona o centro da placa com essa carga e mede quanto ela cede. Essa deformação sob carga é a flecha, também chamada de deflexão. A placa atende à norma quando, com os 450 kg aplicados, cede no máximo 3,6 mm.
A exigência, portanto, não pergunta com quanto peso a placa quebra, e sim quanto ela deforma sob um peso definido. Carga concentrada de 450 kg é referência de deformação, e não ponto de ruptura.
A placa, porém, não se comporta da mesma forma no centro e nas bordas. O centro, onde mostramos o ensaio, é a condição mais favorável, e um laudo completo também informa o ponto mais desfavorável da placa. Explicamos o que deve constar nesse documento no artigo Ensaio de carga: como pedir e como ler o relatório.
450 kg não é o peso que quebra a placa
Existe uma ideia muito difundida de que a placa de piso elevado quebra com 450 kg. Não quebra. Os 450 kg com flecha de 3,6 mm são o critério de deformação, e a margem de segurança está na distância entre esse valor e a ruptura.
No ensaio que filmamos, a placa metálica de entrada, a que atende aos 4.400 N da norma, chegou a quase 1.000 kg antes de estourar. E mesmo nesse ponto ela não colapsou: o que aconteceu foi o rompimento da estrutura da placa. Para colapsar, ela ainda precisaria de muito mais carga.
A pergunta prática passa a ser outra: o que, num ambiente real, vai apoiar 1.000 kg no centro de uma única placa? Praticamente nada. Peso dessa ordem não chega ao piso concentrado num ponto. Chega distribuído.
Carga concentrada e carga distribuída
Em data centers, há armários que chegam a pesar 2.000 kg. Esse peso, no entanto, é carga distribuída: ele se espalha pela base do equipamento e pelos seus apoios.
Em carga distribuída, a mesma placa que atende aos 4.400 N concentrados, os 450 kg no centro, suporta cerca de 1.200 a 1.500 kg/m². São duas grandezas, medidas em ensaios diferentes, e uma não se converte na outra.
Por que existe o ensaio de carga concentrada
O ensaio de carga concentrada existe porque, muitas vezes, o equipamento pesado é deslocado sobre rodízios, ainda que, parado, o seu peso seja distribuído.
Um armário de 2.000 kg apoiado em quatro rodas coloca cerca de 500 kg em cada roda, e cada roda pressiona um ponto da placa. Nesse momento, o número que importa é o da carga concentrada. Os 500 kg por roda já superam o critério de 450 kg da placa de entrada. É por isso que existem diferentes classes de material, e é o equipamento manuseado no ambiente que define qual delas entra.
Quando o equipamento circula com frequência, aparece ainda a carga rolante: peso em movimento, com impacto a cada junta de placa. Ela tem ensaio próprio e depende de análise específica, como explicamos na parte sobre indústria do artigo Como especificar piso elevado no memorial.
Quanto cada placa suporta
A capacidade de carga não é uma propriedade do piso elevado em geral. É da placa: do material, da espessura e da forma como ela é estruturada. Os valores das placas de pedra, cimentícia e de vidro vêm das fichas técnicas da nossa linha. Na linha metálica, a placa de entrada segue o critério da NBR 11802, e a segunda linha da tabela mostra até onde chegam as placas metálicas de classe superior.
| Placa | Espessura | Carga concentrada | Carga distribuída |
|---|---|---|---|
| Piso elevado metálico, linha de entrada | Conforme a classe | 450 kg (4.400 N), flecha de até 3,6 mm | Cerca de 1.200 a 1.500 kg/m² |
| Piso elevado metálico, classe superior (ex.: data center) | Conforme a classe | Até 2.000 kg, flecha de 2,5 a 3 mm | Conforme a classe |
| Piso elevado em ardósia | 20 mm | 1.012 kg | 1.500 kg/m² |
| Piso elevado em ardósia | 25 mm | 1.496 kg | 2.000 kg/m² |
| Piso elevado em granito | 20 e 30 mm | 600 kg | 1.200 kg/m² |
| Piso elevado em quartzito | 20 mm | 600 kg | 1.200 kg/m² |
| Piso elevado cimentício | 40 mm | 450 a 1.000 kg | 2.000 kg/m² |
| Piso elevado em vidro | 22 mm | 500 kg | 1.200 kg/m² |
| Piso elevado em vidro | 34 mm | 700 kg | 1.500 kg/m² |
A carga não escolhe o material. Mesmo uma placa de ardósia com carga concentrada elevada não entra em data center, porque não conduz eletricidade. Quem escolhe o material é o ambiente, e a carga entra depois, como exigência verificável. O caminho completo, ambiente por ambiente, está no artigo Como especificar piso elevado no memorial.
Exigir mais do que a obra precisa tem custo. A norma europeia chega a pedir 2.000 kg de carga concentrada. Copiada para uma obra corporativa brasileira, essa exigência entrega uma placa mais pesada e mais cara do que o ambiente pedia, como detalhamos em O Brasil faz em pedra natural o que a Europa faz em porcelanato.
Pedra de piso elevado é placa estruturada. O granito de assentamento comum não serve como piso elevado. A placa precisa ser produzida para trabalhar apoiada nos pedestais, e é isso que explicamos em Piso elevado em granito: o que sustenta a placa não é a pedra.
A carga que a laje recebe sem ninguém perguntar
Vale colocar esses números ao lado de outro que quase ninguém questiona. A NBR que define a carga estrutural de uma laje residencial fala em 1.200 N, ou seja, pouco mais de 120 kg. O piso elevado chega a ter quase quatro vezes a carga de uma laje residencial.
Nas lajes comerciais convencionais, o valor sobe para pouco mais de 2.000 N, mais de 200 kg de carga fixa. E é sobre essas lajes que, durante a obra, se apoiam seis, sete, oito sacos de cimento, cerca de 400 kg, ou pilhas de dez, vinte caixas de porcelanato, sem que ninguém pergunte o que está acontecendo com a estrutura.
É por isso que engenheiros estruturais reagem quando chegam ao canteiro e encontram grande acúmulo de material num mesmo ponto. Acúmulo de carga é assunto sério. O piso elevado, por ser uma solução que muitos ainda tratam como nova, desperta uma desconfiança que a laje convencional raramente desperta.
O que pedir ao especificar a carga
Os números só protegem a obra quando chegam ao memorial na forma certa.
- Carga concentrada com a flecha e o ponto de aplicação. Carga sem flecha é número solto: qualquer placa aguenta qualquer peso se ninguém disser o quanto ela pode ceder.
- Carga distribuída, quando houver equipamento pesado apoiado no piso.
- Carga rolante, quando houver circulação de equipamento sobre rodízios.
- O peso real de cada equipamento e o número de apoios. É com esse dado que se escolhe a classe da placa.
- Laudo de ensaio da placa efetivamente fornecida, com fabricante, modelo, dimensões e espessura, e não um laudo genérico.
Perguntas frequentes
Quantos quilos o piso elevado aguenta?
Depende da placa. A placa metálica de entrada atende a 4.400 N de carga concentrada (cerca de 450 kg) com flecha de até 3,6 mm, e suporta cerca de 1.200 a 1.500 kg/m² de carga distribuída. Há placas para data center que suportam até 2.000 kg com flecha de 2,5 a 3 mm, e os valores de cada material estão na tabela acima.
A placa de piso elevado quebra com 450 kg?
Não. Pela NBR 11802, 450 kg é a carga sob a qual a placa pode ceder até 3,6 mm. No nosso teste, a placa metálica de entrada rompeu perto de 1.000 kg, e mesmo assim sem colapsar.
O que é a flecha de uma placa de piso elevado?
É quanto a placa cede, em milímetros, sob a carga do ensaio. A NBR 11802 admite até 3,6 mm com 4.400 N aplicados. Uma carga informada sem a flecha correspondente não permite comparar duas placas.
Piso elevado aguenta rack de data center?
Aguenta, desde que a placa seja especificada para o peso. Um rack, ou armário, de 2.000 kg parado é carga distribuída. Sobre quatro rodízios, ele coloca cerca de 500 kg em cada roda, e é esse peso por apoio que define a classe da placa.
Fale com a nossa equipe
Se você está especificando um ambiente com equipamento pesado, envie o peso de cada equipamento e o número de apoios. Com esse dado, indicamos a classe de placa adequada. Respondemos em até 24 horas pelo 0800 999 2820 ou pelo WhatsApp.
Por Bruno Nakamura
Sócio-fundador da Pisos Elevados Brasil