Placa de insuflamento no escritório: por que ela pode piorar o seu ar-condicionado?

Placa de insuflamento no escritório: por que ela pode piorar o seu ar-condicionado?

Pedir placa perfurada num escritório com ar-condicionado de forro não melhora a climatização, pode tirar o ar frio da sala. O que a placa de insuflamento faz, quando ela funciona e o que resolve no lugar dela.

Recebo esse pedido várias vezes por ano, sempre igual: o cliente tem piso elevado no escritório, está com queixa de calor e quer trocar algumas placas por placas de insuflamento.

A lógica parece boa: o piso tem um vão embaixo, a placa perfurada deixa o ar passar, logo vai entrar ar frio na sala.

Só que não é isso que acontece. Na maior parte dessas obras, a placa de insuflamento não melhora nada. Ela piora.

A placa de insuflamento serve para um sistema específico

Ela é feita para o sistema em que o ar-condicionado vem de baixo. A máquina joga o ar frio dentro do vão embaixo do piso elevado, e esse ar sobe para a sala pelos furos da placa. É esse o sistema em que a placa de insuflamento tem função, e ele se chama UFAD (Underfloor Air Distribution), ou seja, distribuição de ar pelo piso.

Ou seja: para sair ar frio pelo piso, alguém precisa ter colocado ar frio embaixo do piso. A placa não gera frio e não puxa frio. Ela só abre um caminho.

Num escritório com ar-condicionado comum, de forro, esse vão não recebe ar de lugar nenhum. Tem cabo, tubulação e ar parado.

Por que ela piora a sala

É física básica: o ar frio desce e o ar quente sobe.

Numa sala com ar-condicionado convencional, o ar frio entra pelo forro e vai descendo. O ar quente é o que fica em cima, na altura das pessoas. Por isso a grelha de retorno precisa estar no teto: é lá que está o ar quente que você quer tirar da sala. Com o retorno no lugar certo, o ar quente vai embora e a sala fica com o ar frio descendo.

Agora imagine o contrário. Você fura o chão com placas de insuflamento e não tem retorno no teto. O ar frio, que desceu, encontra o furo e vai embora para o vão embaixo do piso. O ar quente continua exatamente onde estava: em cima, com as pessoas.

O resultado é que a máquina passa a climatizar o vão embaixo do piso, que não tem ninguém dentro, enquanto a sala continua quente. E a conta de energia sobe, porque o equipamento trabalha mais para entregar o mesmo desconforto.

Já vi obra em que a queixa de calor aumentou depois da troca das placas, e ninguém ligou uma coisa à outra.

O que resolve no lugar

Em escritório com ar-condicionado de forro, o que costuma estar faltando não é saída de ar embaixo. É grelha de retorno no forro.

O problema típico dessas salas não é falta de frio, é ar parado. O ar frio entra, fica na região do difusor e não circula, porque não existe um caminho de retorno bem posicionado que puxe o ar da sala inteira. Corrigir o retorno é mais barato que trocar placa de piso e mexe na causa.

Antes de mexer no piso, vale perguntar ao projetista de climatização onde está o retorno e se ele foi dimensionado para a ocupação atual da sala. que quase nunca é a ocupação do projeto original.

Quando a placa de insuflamento é a peça certa

Ela é a peça certa quando o projeto de climatização é de insuflamento por piso. Aí ela deixa de ser um furo e vira um componente dimensionado, com número.

Nossa linha trabalha com três configurações:

  • Alta vazão com damper — área livre regulável de 35% a 70%, peso de 10 kg. O damper é o que permite balancear a sala depois de pronta, fechando onde sobra frio e abrindo onde falta. Em data center, isso é rotina de operação, não ajuste único.
  • Alta vazão sem damper — 80% de área livre, 7 kg. Vazão máxima, sem regulagem. Faz sentido em posição onde a demanda é conhecida e estável.
  • Baixa vazão — 1.764 furos de 6 mm, 36% de área livre, 7,5 kg. É a placa de distribuição mais suave, para área de ocupação humana onde jato de ar direto incomoda.

Repare que a escolha entre elas é um problema de balanceamento, não de catálogo. Colocar a placa de 80% em todos os pontos não climatiza melhor: despressuriza o plenum e derruba a vazão dos pontos mais distantes da máquina.

Sobre data center, já que o assunto é o mesmo

Aproveito para desfazer outra ideia que circula: a de que o plenum alto do data center é decisão de arquitetura ou de estética.

Não é. Ele é consequência de acomodar coisas em camadas. Embaixo do piso passa climatização e passa cabeamento, e essas camadas não podem se atrapalhar, se o cabo obstrui a passagem do ar, o dimensionamento da climatização vira ficção. A altura sai dessa conta.

E vale registrar um ponto que surpreende quem vem de obra corporativa: o forro de data center é elemento estrutural. Ele é feito para receber cabeamento fixado, na faixa de uma a duas toneladas. Não tem nada a ver com o forro decorativo de escritório, e tratar os dois como a mesma coisa em orçamento é erro caro.

Se o plenum é duto fechado ou plenum pressurizado, depende do projeto. Não existe resposta única, e desconfie de quem der uma.

Resumo

Placa de insuflamento não é acessório de conforto térmico. É componente de um sistema de climatização que entrega ar pelo piso.

Se o seu ar-condicionado é de forro, a placa perfurada vai tirar frio da sala em vez de colocar. Antes de furar o piso, olhe o retorno.

Mas se o seu caso for o contrário: projeto de insuflamento por piso, plenum pressurizado, aí a placa é a peça certa, e a conversa passa a ser sobre balanceamento. É outro artigo, e é uma conta que se faz com o projetista de climatização na mesa.

Por Bruno Nakamura
Sócio-fundador da Pisos Elevados Brasil

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